sexta-feira, 13 de abril de 2012

Ai que esta Puta me Mata....!!

Para amar uma puta não se pode ter brios nem soberbas,não se pode olhar para os lados,nem se inquietar com o que lhe ronda.
Amar uma puta é morrer de amor ,é se ter reviradas as entranhas noite após noite,dia após dia,num inferno de prazer e dor que nunca se acaba,mas,o amor por uma puta é o maior do mundo e o que ela lhe devolve, é o mais verdadeiro dos mentirosos amores que nos atropelam,que nos arrancam a pele e,por fim,nos aplacam o ânimo, para num gesto nos trazer de volta ao labirinto de incompreensíveis dores que se grudam em nossas almas e nos arrastam para seus colos quentes e suas carnes macias.
Ai que esta puta me mata e morto me alegro pela vida que me engole!


Como quem ama uma puta,vagam mundo a fora,milhares de torcedores,que apesar das dores,não se cansam de amanhecer na tristeza da derrota ou no prazer da vitória,jogo após jogo e ontem,chorou a torcida Rubro-Negra.


Depois de muito tempo,o Flamengo mostrou ontem o futebol que se esperava,jogou com a garra e a qualidade de quem apresenta um elenco milionário e,além disso,tem amor a camisa.
Ronaldinho,que já parecia ter desistido da carreira mas não da grana,desencantou e fez jogadas brilhantes,passes que lembravam os tempos em que era o melhor do mundo,Wagner Love,Botinelle,"papai Joel",a Gávea inteira,deu,ontem,o sangue pela classificação,mas no futebol isto não basta.
Futebol não tem lógica,nem lei do retorno,nem compensação.Futebol é espaço a parte onde Deus e o Diabo,de mãos dadas, se riem da gente tola que teima em amar suas putas e alegres ou tristes,ao final da contenda,voltam para casa enrolados às suas bandeiras,pobres retalhos deste amor que está sempre aos pedaços,e aos pedaços contempla,acalenta e encanta quem se entrega sem reservas e ama por princípio,por meio e por perdão!
    Salve a torcida Rubro-Negra e seus amores sem razão!! 

terça-feira, 3 de abril de 2012

PARA QUEM AMA O FUTEBOL

Resistência Urbana – Manifesto sobre os Megaeventos Esportivos
Copa do Mundo 2014 e Jogos Olímpicos 2016
Resistência Urbana é uma frente de movimentos populares presente na maioria dos estados brasileiros. Nosso compromisso é trabalhar para organizar vários setores de nossa sociedade, lutar por nossos direitos e, no longo prazo, construir o que denominamos poder popular. A vida só vai mudar de verdade quando o povo tomar a direção de seu destino e não permitir mais que uma pequena elite se beneficie do trabalho que é todos.
Mais uma vez, estamos promovendo esta Jornada Nacional de Lutas. O foco de nosso protesto são os chamados megaeventos esportivos: a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.
A propaganda oficial, a euforia dos empresários e a falta de informações sistematizadas na mídia faz que boa parte do povo brasileiro pense que esses eventos esportivos serão bons para o país, que elevarão a imagem do Brasil no exterior, que vão trazer centenas de milhares de turistas que aqui vão gastar milhões de dólares. Em suma, muitos acham que a Copa e as Olimpíadas vão beneficiar o povo como um todo.
Infelizmente, isso não é verdade. O número de beneficiados é muito pequeno. Inclui a classe política dirigente do país, alguns setores do grande capital nacional (redes de comunicação e empreiteiras, por exemplo), os cartolas de certos clubes, a Fifa e um punhado de empresas transnacionais, patrocinadoras dos eventos.
O número de prejudicados, porém, é imenso.
Perdem, em primeiro lugar, as dezenas de milhares de famílias diretamente afetadas pelos despejos e remoções realizadas em nome de obras viárias e de infraestrutura ou construções e reformas de estádios. O propalado programa habitacional do governo federal, com o sugestivo nome de Minha casa, minha vida tem um desempenho muito pior do que geralmente esse divulga. Da meta de construção de 1 milhão de casas, apenas 400 mil se referiam à população que ganha até três salários mínimos, e que corresponde a cerca de 90% do chamado déficit habitacional, ou seja, o número dos que não têm moradia digna, hoje na casa dos 7 milhões de famílias. A meta do Minha casa, minha vida é, portanto, tímida. E simplesmente não tem sido atingida. Do total prometido, pouco menos de metade foi efetivamente entregue, até agora, mesmo passado mais de um ano do prazo prometido. Isso para não falar que se trata de casas muito pequenas (em geral, 32 m2), que devem ser pagas por 25 anos, sem terreno para expansão futura, localizadas em áreas muito distantes, em geral sem infraestrutura, isto é, sem asfalto, sem transporte, sem escolas, creches ou postos de saúde. E os megaeventos esportivos agravam o quadro, pois despejam famílias das áreas consideradas “nobres”, num processo que chamamos de higienização social.
Perdem os torcedores de futebol. Muita gente parece supor que poderá acompanhar os jogos nos estádios, mas, durante a Copa ou as Olimpíadas, como se sabe, os ingressos, mesmo nos jogos menos importantes das fases classificatórias, não custarão menos do que R$ 700 ou R$ 1 mil. Essa lógica elitista deve, inclusive, se manter após as competições, pois os estádios novos ou reformados terão seu custo de manutenção elevado e, consequentemente, passarão a cobrar entradas bem mais caras.
Perde a população usuária dos serviços públicos, como a saúde e educação. Quando pedimos mais e melhores escolas ou postos de saúde, por exemplo, a resposta-padrão é que “não há verbas”. Agora, o cinismo dessa atitude fica mais claro do que nunca. Para melhorar a vida das pessoas, para dar acesso digno aos direitos garantidos pela Constituição, para construir a cidadania o Estado jamais tem dinheiro. Mas para erguer estádios que chegam a custar R$ 1 bilhão, para reformar aeroportos que servirão a relativamente poucas pessoas, para transferir bilhões de reais a grandes empreiteiras de obras públicas, para emprestar enormes somas a grandes empresas, bem, aí o dinheiro aparece.
Perdem os que pagam impostos. No Brasil, é preciso lembrar, a maior parte dos imposto está embutido em todos os produtos que compramos, inclusive os de primeira necessidade, como alimentos ou produtos de higiene e limpeza. Em nosso país, aliás, os ricos, apesar de reclamarem muito, praticamente não pagam impostos, seja porque os repassam para o consumidor, seja pela simples sonegação. Agora, como se não bastasse que o dinheiro dos impostos seja investido sem qualquer prioridade, assistimos o governo concedendo isenção tributária às empresas envolvidas com a Copa. Isso significa, simplesmente, que essas empresas não precisarão recolher impostos sobre os lucros que obtiverem com a competição. Por que o povo, que trabalho duro e ganha pouco, paga tanto imposto e o grande capital nacional e trans-nacional fica isento? Perdem, enfim, todos os brasileiros. Um dos maiores bens de um país é a sua independência, a sua soberania. Nenhuma nação quer ser dominada por outra. Mas a chamada Lei Geral da Copa concede à Fifa algumas prerrogativas aviltantes, que fazem do Brasil um país ainda mais subordinado aos interesses do capital estrangeiro. Durante a Copa, nas áreas em que ocorrem os jogos serão montados tribunais especiais, verdadeiros tribunais de exceção, que julgarão alegados crimes que ocorrerem no entorno dos estádios, o que inclui até a venda de bebidas ou produtos alimentícios não autoriza-dos. Serão julgamentos muito rápidos (julga-mentos sumários), com restrito direito de defesa. Ao aceitar essas imposições, os governantes brasileiros passam ao mundo, não a imagem de um país dinâmico e moderno, mas do velho país subordinado e governado por uma elite mesqui-nha e antipopular.
Por tudo isso, o Resistência Urbana, frente nacional de movimentos populares, protesta contra os megaeventos esportivos e reivindica que as necessidades da população venham antes dos interesses do grande capital.
Confira dez pontos para refletir sobre a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
1. Despejos – As obras dos megaeventos levam a grande número de despejos violentos sem compensação às famílias removidas.
2. Obras: dinheiro público, lucros privados – Apesar de atenderem a interesses privados, as obras feitas para os megaeventos recebem enormes quantias de dinheiro público.
3. O exemplo do Pan 2007 – No Pan de 2007, no RJ, as obras custaram 10 vezes mais que o planejado e aumentaram a repressão, como as dezenas de mortes no Complexo do Alemão.
4. No resto do mundo também não deu certo - Os megaeventos sempre causaram prejuízos. Em Montreal, 1976, produziram dívidas que duram até hoje. As Olimpíadas de 2004 estão entre as causas da crise na Grécia. A África do Sul passa, hoje, por crise advinda da Copa de 2010.
5. Quem manda no Brasil é a FIFA? – Para sediar uma Copa do Mundo, o país deve abrir mão de sua soberania, permitindo que a FIFA influa nos impostos, nas licitações e até nas leis do país.
6. Futebol agora é coisa da elite? – Os ingressos para a Copa de 2014 serão caríssimos, proibitivos para quase todo do povo. É mais um passo no caminho da elitização do futebol brasileiro.
7. Quem são as marcas que mandam na Fifa – As marcas que dominam os megaeventos são constantemente envolvidas em escândalos financeiros e denúncias de superexploração no Terceiro Mundo.
8. Cidades não são marcas de negócio – Os megaeventos esportivos induzem as cidades a se agirem como um produto do mercado mundial, geridas pelos negócios e não pelo interesse da população.
9. A quem serve a cidade? – O planejamento da cidade fica submetido, à lógica da competição esportiva, que dura semanas, mas determina como a cidade será por várias décadas.
10. Como se deve gastar o dinheiro do povo? – Dinheiro para a Saúde, a Educação, a Moradia… dizem sempre que não tem. É justo, então, gastar com eventos que beneficiam tão poucas pessoas?
O MTST e o Resistência Urbana realizarão amanhã, 4/4, uma Jornada Nacional Contra os Crimes da Copa, com ações em 8 das 12 cidades-sede da Copa 2014, além de mais duas capitais que não sediarão o evento.
O objetivo destas ações é realizar o lançamento de uma Campanha Nacional – CAMPANHA CONTRA OS CRIMES DA COPA / Quem apita é o povo! – que envolverá ainda a proposta de realização de um Plebiscito Popular sobre o tema no meio do ano.
As ações de amanhã mobilizarão milhares de trabalhadores, em sua maioria ameaçados de despejo, e serão feitas nas obras dos estádios.
Ocorrerão nas seguintes cidades:
- São Paulo
- Manaus
- Brasília
- Belo Horizonte
- Cuiabá
- Fortaleza
- Rio de Janeiro
- Curitiba
Além de duas que não são sedes, mas estão com problemas de despejo relacionados ao mesmo avanço da especulação imobiliária: Belém e São Luiz.
A Campanha tem 3 motes fundamentais:
- Contra os despejos e remoções relacionados às obras dos mega-eventos.
- Contra o uso de dinheiro público para os megaeventos. Por investimento em políticas públicas.
- Contra a ingerência da FIFA. Soberania não se negocia.

quinta-feira, 29 de março de 2012

AH... É EDMUNDO!!!!!!!

O mundo mudou,vivemos tempos estranhos,onde informações e sentimentos voam em 180 caracteres,onde nada fica o suficiente para se tornar identidade e onde as referencias mudam a velocidade dos nanosegundos.
Nesta sociedade tão asséptica,sem esquinas e apartada das utopias, que não abre  lugar para passionalidades,erros,arestas,o futebol é a trincheira da incongruência,é o lugar de memória que nos fás humanos,toscos,rotos,brilhantes e estúpidos.
Pelos campos,Brasil a fora,continuam desfilando tipos contraditórios,que teimam em preservar seu direito ao desencaixe,que sem pudor ou explicação ascendem vela a deus e ao diabo e que se perdem dentro de seus próprios labirintos.
Ontem,um país encantado,uma cidade apaixonada,uma torcida enlouquecida,prestou suas homenagens à um desses seres mágicos que fogem as explicações e declinam da necessidade de classificações e enquadramentos.
Com a chuva e a noite por testemunhos,São Januário gritou o nome de seu ídolo,agitou bandeiras e chorou a alegria de ter novamente em campo a genialidade dos loucos e aquele homem,que do gramado olhava incrédulo a adoração derramada em seu nome,devolveu o que recebia da forma mais genuína,reverenciando a arte que o fez grande e a emoção que o fez frágil.
Edmundo terá para sempre seu nome e sua alma marcados no coração de cada brasileiro que se sabe certo e errado,de cada jogador que se sabe inteiro e partido e de cada Vascaíno apaixonado que tantas vitórias deve a este homem cuja existência foi marcada pela sinceridade do amor ingenuo e urgente tão comum as crianças e aos animais.

terça-feira, 27 de março de 2012

Uma História Para Contar.

Semana passada fui visitar minha cidade,já fazia um bom tempo que não a via e antes de começar minha jornada,um certo medo se acercou de mim.
-"Como será que estão as ruas da minha infância?Aqueles lugares de memória que hoje confundem minha lembrança,transformando tudo em paraíso?
-Como será que vivem aquelas pessoas que povoaram minha adolescencia de aventuras tresloucadas e deixaram para sempre sua marca no meu sorriso?"
Todas aquelas perguntas subindo e descendo na minha cabeça,se misturando a vontade de ir e ao receio de descobrir que o que me fazia abençoar minha terra com a lágrima da saudade,era só ilusão provocada pela distância!
Lá fui eu,fantasiada com a adolescencia que nunca me abandonou,jeans,camiseta,tênis e mochila,parti em busca do meu passado com o coração aos pulos.
Depois de horas que me fizeram do corpo um bagaço estragado,a cidade começou a se desenhar na minha frente.O subúrbio de casas amontoadas,roupas penduradas,meninos de bicicleta e biroscas com som alto,numa estética particular em que o feio e o bonito passeiam de mãos dadas.
As avenidas largas,cortadas por viadutos cinzas,num vai e vem de carros e buzinas,que aos desavisados pereceria completa loucura barulhenta e inespugnável.
Uma onda de alegria me invadiu e aos poucos,os cheiros e sons,a geografia das ruas,a alegria genuína e despreocupada daquela gente,foi se reencontrando comigo e fazendo com que me sentisse como se nunca houvesse saído dali.Cada lugar,cada gesto,cada som,rapidamente foi se encaixando dentro de mim e após longos anos expatriada,estava em casa.
Só,na Cidade Maravilhosa,revi meus lugares e minha gente com o silencio interno que convém aos momentos sagrados.Passeei pelas ruas e parques,caminhei tranquila com meus pés de passadas seguras sob as pedras portuguesas,sorvendo com calma toda aquela beleza ,fui a mil esquinas,entrei e sai de muitas vidas e de tudo guardava um pouco,como camelo que se abastece para o deserto que o espera.
Foram muitas as histórias que ouvi e contei,foram muitos os estranhos tão profundamente íntimos com quem dividi minha estada e me fiz dona de todos,mas,a despeito dos lamentáveis acontecimentos no ultimo jogo entre Palmeiras e Coríntias,conto aqui uma delas:
Era Quarta feira,dia de jogo pela Libertadores e fazia seculos que não assistia uma partida num Estádio,então,transbordando de felicidade,me mandei para São Januário.Poderia ter ido de ônibus,já sentindo o calor da torcida,mas,apesar de teimar com o tempo,não tenho mais vinte anos e achei o taxi um transporte mais de acordo.
Desci,fiz sinal,ele parou e eu entrei.
"- Me leva a São Januário,por favor?
-Positivo,direto para o "Caldeirão".
-Você é Vascaíno?
-Positivo
- E operante.Não vai ao jogo?"
Veio,então,um depoimento inesperado,lindo e delicado como poucos que já ouvi.
Aquele motorista me contou que é Vascaíno desde antes de nascer e que sempre frequentou os jogos do Vasco,mesmo os mais obscuros,até que durante a adolescencia,entrou para uma torcida organizada e de apaixonado torcedor se transformou em uma máquina de brigar.
Nada mais importava para ele,nem a mãe que desesperada implorava para que ele se afastasse daquilo,nem o time do coração que ele aprendeu a amar pelas mãos e o olhar do pai já falecido,nem os antigos companheiros de arquibancada,que de longe viam a mudança assustados.Nada além da próxima briga,do confronto porvir o movia.
Já não se encantava com os jogos,nem sabia que lugar na tabela seu time estava,a adrenalina da guerra o havia engolido.
Os anos foram passando e as brigas se acumulando em seu currículo medíocre.Um osso quebrado aqui,um olho roxo ali e mais uma camisa com o sangue alheio para a mãe lavar entre lágrimas e soluços de medo.
Assim foi até que um dia,num confronto com uma torcida rival,naquele tempo inimiga,ele apanhou por todos os anos em que bateu,virou um massa de carne exposta e ossos quebrados na calçada e viu a morte e o ódio lhe açoitarem.
Meses no hospital sem poder sequer falar,com tubos enfiados em lugares que nem ele sabia que existiam em seu corpo,dor e angústia nele e na mãe que o acompanhou incansável naqueles dias internado e na dura rotina dos hospitais públicos.
Após um bom tempo,de volta em casa e inteiro novamente,reviu sua trajetória e as escolhas que fez,olhou em volta e,por alguma razão que nem ele soube explicar,pensou em quantas pessoas ele havia presenteado com a dor e desespero pelos quais ele acabara de passar,tentou encontrar uma explicação que justificasse seu comportamento,mas,não havia e com a sabedoria e força que só os homens especiais tem,ao lado da mãe,tomou uma decisão e fez,a si mesmo,uma promessa:
"-Sou como um alcoolotra,e meu vício é a intolerância.Para mim,nunca mais jogos em Estádios!"
Hoje,toda vez que seu time entra em campo,ele liga o rádio e no carro ou em casa,ao lado de seu maior tesouro,sua filha de nove anos,ouve o jogo em paz! Se alegra quando o placar é do Vasco,quando as jogadas são maestrais,quando os títulos chegam e se entristece quando isto não acontece,mas,sabe que é só um jogo e que amor e violência não caminham juntos.
Na porta de São Januário nos despedimos,me desejou um bom jogo dizendo que estava indo para casa,"-É dia de futebol e pizza e minha filha me espera!" 
Toda a minha estada no Rio foi maravilhosa,mas, só este encontro já teria valido tudo.Quem dera outros torcedores em todas as cidades do Brasil,tivessem a sabedoria que teve aquele homem,toda luz e sorte para ele!



 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Tá na Chuva? Então Deita, Rola e Aproveita!!

Sem querer adentrar a área da futurologia,este ano,me parece,será lembrado no futebol,não pela sonolenta e anti-ética dança dos técnicos,nem pelos repetitivos erros de arbitragem e,infelizmente,não pela podridão da CBF,assuntos recorrentes e tristemente,até aqui,insolúveis.
Este ano,já tem reservado,o nome de seu dono: David.
Tanto no Cruzeiro,Santos ou Coríntias,embora tenha sido importante,fama de goleador,este camisa 9 nunca teve.Não foi o 1º gol perdido de sua carreira,não foi sequer o único com características inacreditáveis,basta lembrar de Santos e Flamengo no Brasileiro de 2011,mas,desta vez rompeu as leis da física,da coordenação motora,da visão em apto estado para a prática do esporte,ultrapassou os limites do bom senso e,de quebra,virou herói da torcida adversária,que encantada gritava seu nome no estádio e vaiava,veementemente,sua saída de campo.
David estampa,mundo a fora,manchetes esportivas,é alvo de todo tipo de brincadeiras e piadas e transformou a derrota do Flamengo,logo para o Vasco,em pesadelo maior do que pode suportar o coração Rubro-Negro,neste momento,mais rubro pela raiva do que negro pela dor.
Toda esta "zoação",não deve estar sendo fácil nem para David e muito menos para sua família,mas,algumas considerações devem ser feitas.
David perdeu um gol inacreditável,mas,para isso foi preciso que ele estivesse lá e tentado faze-lo o que é muito mais do que se pode dizer do maior salário do Flamengo,que está atrasado é verdade,mas o de David também.
Este gol perdido,foi aos 30 min do 1º tempo,o Flamengo teve 45 min para correr atrás do prejuiso e não o fez,arrastando-se em campo num cansativo balet de lesmas
Ao contrário de outros,em momento algum David se furtou da responsabilidade da trapalhada,não pôs a culpa no aclive do campo,nem no tornozelo que esbarrou na bola,nem na trave torta,disse textualmente "fiz merda".
Por último,toda esta galhofa,trouxe de volta algo que o futebol tem carecido,o bom humor,a brincadeira,a alegria que faz deste esporte algo mais do que 90 min de bola rolando.
No final das contas,a torcida vascaína agradece sinceramente,mas agradece também o futebol que teve neste episódio um belo exemplo de caráter e uma gostosa lembrança de uma época em que tudo parecia mais leve.
              Obrigada,David! 

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Por que Eu Amo

Muita gente estranha me ver tão apaixonada por futebol,não entende minha alegria em assistir uma partida,mesmo que o time em campo não seja o meu,mas,futebol realmente me fascina.
Gosto do jogo,da técnica,do balé com os pés,me enche de um encanto,quase infantil,ver a rapidez de raciocínio de um jogador que pega uma bola lá na intermediaria e em menos de dois segundos já tem na cabeça,todo o caminho até o gol.Ele pode ter um português ruim,um gosto musical duvidoso,se vestir de maneira ostensiva e cafona,mas,o que ele faz é para poucos.
Gosto do futebol que não se vê,do sub texto,da entrelinha,da metáfora e da redençaõ.
Futebol é o moleque atentado que sobrevive na gente,tipo meio abagunçado,que pula o muro,que fala o que sente,é árvore e semente.
É a esperança do desdentado,acabrunhado e humilhado,que na hora do gol é rei vingado.
É o que nos ensina que a vida anda para frente,que cada dia,cada partida,é só aquela,com ou sem mazela.Não tem ensaio,não tem rascunho e no gol feito ou perdido,apesar da multidão,é só você por testemunho.
É assim o futebol que eu amo.

             COMEÇARAM OS ESTADUAIS!

 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Saudade

Não foi amor a primeira vista,nem a segunda,ou a terceira,demorou para eu conseguir entender aquilo tudo.
Era tanta dor e tanta alegria,tudo vindo tão inteiro,tão de uma só vez,
tudo tão misturado no meio de tantos braços e gemidos,lágrimas e sorrisos,
que era muito.
Montanha que desaba ante o peso insuportável da terra encharcada,
que desce levando tudo á sua frente com força descomunal,
em dia de sol forte,céu azul e calor que aquece e aconchega.
Era muito,tão inteiro,tão de uma só vez,tão misturado,que demorou para eu entender aquilo tudo.
Mas um dia eu acordei e estava lá
e o espanto se levantou e cedeu seu lugar ao encanto,
e rodeada de calma e agitação,sua alma preguiçosa e guerreira,
se entranhou na minha para nunca mais sair.
Sua voz,seus gestos,suas lágrimas e sorrisos,
tudo então fez sentido e sem resistir,me deixei levar.
O mundo para além do óbvio se fez
e a luz focada e difusa,suave e intensa,
que em tudo,com doçura explodia,á mim se apresentou:
Muito prazer,meu nome é  Elis.



terça-feira, 17 de janeiro de 2012

E Você, Vai Eliminar Quem?

As vezes me acho uma pessoa bem esquisita,tenho um leque de interesses enorme,vou de Maria Callas a Odair José sem o menor constrangimento e,para mim,não tem viagem perdida.Ainda não tive o prazer de me espantar de verdade com nada que venha da natureza humana,observo o movimento e sei que tudo é possível quando se trata de gente,mas,ao mesmo tempo,apesar de todas as curvas,sou irremediavelmente reta se o assunto for sim ou não.
Quando o tal do Big Brother chegou por aqui,não me causou nenhum interesse,mas,aos poucos,todo mundo começou a ficar tão hipnotizado com aquilo que me chamou a atenção.Era mesmo divertido assistir,não só aquele bando de gente brincando de rato de laboratório,mas,também,o rebuliço que causava nas pessoas do lado de fora da casa,afinal,quem resiste a um bom buraco de fechadura? E no final das contas,a grande brincadeira era essa mesma,ficar olhando quem,lá dentro,se engalfinhava pela grana e quem,aqui fora,se deixava tomar por toda aquela maluquice,mas,isso foi até a manhã de Domingo,15/01/2012. A partir dalí,a "brincadeira" perdeu a graça.
Quem,mesmo eventualmente,acompanha o programa,sabe que se,por exemplo,você esquecer seu microfone longe do corpo um alerta com sirenes é dado,se mais de três pessoas entrarem no quarto do líder ao mesmo tempo,a mesma coisa acontece. Se,seja por que razão for,você agredir fisicamente alguém,automaticamente estará expulso e o mesmo vale para o uso de drogas ilícitas.Nada acontece naquele lugar sem que uma equipe enorme de câmeras,técnicos,diretores e assistentes não vejam e qualquer tentativa de burlar o regulamento será punida,mas,como descobrimos,tal rigidez ia só até a pagina dois.
Na primeira festa da nova edição do programa,como sempre regada a muita bebida,mas,sem esquecer que bebe quem quer,uma moça,lá pelas tantas,foi para o quarto e,praticamente,desmaiou de tão bêbada.Logo em seguida,um rapaz entrou em seu quarto,enfiou-se debaixo das cobertas com a moça,que continuava inerte,e por sete longos minutos,com ou sem conjunção carnal,a estuprou.A moça,desacordada estava e assim continuou,sem condições de discernir o que estava acontecendo e como se soube no dia seguinte,sem qualquer lembrança do ocorrido.
O que o rapaz fez,está lá,registrado em vídeo e,dentro ou fora da casa,tem nome,sobrenome e é previsto no código penal brasileiro,portanto que a lei se cumpra,mas,e o que fez a emissora?
Um crime foi cometido diante dos olhos do país e de um grupo de pessoas,supostamente responsáveis pelo programa e a segurança dos participantes.Diferentemente das atitudes tomadas quando o assunto é microfone ou afins,durante todo o tempo em que a cena acontecia,deixando claras as condições em que a moça se encontrava,ninguém tocou sirenes,acendeu as luzes ou fez qualquer coisa para interromper.
Hoje,três dias depois,o rapaz foi expulso,mas,apenas por conta da revolta que o ato causou na população,já que no dia seguinte ao fato,o apresentador do espetáculo,limitou-se a fazer brincadeiras com as "pegações" e nada mais e durante todo o dia de ontem a emissora limitava-se a dizer que iria averiguar mas que o rapaz não seria punido.
Embora tenha cá minhas suposições,não sei o que de fato vai acontecer,nem com a moça,nem com o rapaz e muito menos com a emissora ou o programa,entendo que se acredite ser necessário uma certa dose de baixaria para que no intervalo comercial latas de leite em pó,sapatos e carros sejam vendidos,mas,lembra da linha reta na hora do sim e não?Então,para mim,a partir daqui,é não.Certas coisas,apesar de não fugirem a minha compreensão,estão além do diâmetro da minha glote.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O Rei Está Morto! Viva O Rei!

"PARECE QUE EU MORRI!" 

Como sempre,Marcos nos brinda em suas entrevistas com frases memoráveis e além das defesas maravilhosas,sentiremos enorme falta desta simplicidade que o caracterizou ao longo da carreira.
Marcos é um daqueles jogadores que ultrapassam os limites da camisa,do clube e entram para a história por algo mais do que as quatro linhas,com sua maneira direta de dizer o que pensa,por sua falta de reservas na hora de ser sincero,ele desenhou um caminho que,cada vez mais,o futebol precisa e,cada vez menos,ele tem.
 Marcos está certo,parece que morreu,mas,não há porque se acabrunhar,durante uma única existência morremos várias vezes e nascemos milhares também.Na historiografia dos santos,só os temos reconhecidos como tais,séculos depois de seus milagres e nisto" São Marcos" já levou vantagem pois não há quem conteste os seus,testemunhados por milhões,jogo após jogo.
Agora uma nova história começa,veremos um outro Marcos nascer e,não tenho dúvidas,somos privilegiados por termos esta chance,sua essência,dificilmente mudará e outros milagres,em outros lugares,certamente vão surgir.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

É Melhor a Pátria Livre.

Nem sei se algum dia o mundo foi mesmo dividido entre bons e maus,certos e errados,mocinhos e bandidos,mas,certamente já foi mais simples tomar partido,escolher estar deste ou daquele lado da sala já foi mais fácil.Hoje,embora tenha que se manter a mente aberta,abrindo espaço para as possibilidades,temos sempre a sensação de que é melhor manter um olho no padre e outro na missa,principalmente se você for uma pessoa pública em quem se depositem esperanças,neste caso,qualquer vírgula mal colocada pode ser fatal.
Depois de tantas experiências mal sussedidas,quando Romário se candidatou,ninguém,ou quase,acreditou que aquilo era para valer,que suas intenções realmente eram sérias e priorizavam o coletivo,mas,ao longo do mandato o Brasil viu surgir uma voz coerente,que não se limitava a verborragia a que estávamos acostumados,que se colocava de maneira contundente a respeito de questões importantes,que não tinha medo de falar ou fazer o que acreditava ser correto e isto fez um bem enorme para quem já andava sem crença alguma nas intenções de políticos,mas este mundo é cheio de curvas e atrás de cada uma delas se esconde o pavoroso monstro das "trocas",das "facilidades",do tama lá dá cá que nos é tão familiar.
Ricardo Teixeira,que de bobo não tem nada,escolheu para seu testa de ferro,seu escudo,Ronaldo Fenômeno,que já deu mostras fora de campo,não ser assim tão confiável,mas,mesmo que fosse,"diga-me com quem andas que te direi quem és",é meio preconceituoso e limitador este dito popular,mas,em alguns casos,a mais cristalina verdade.Ronaldo está lá para representar uma entidade,uma visão de mundo,um modo de agir e sempre deverá satisfações a quem o contratou,portanto...
Houve uma certa aproximação entre Romário e Ronaldo,o que nos deixa meio com a pulga atrás da orelha,agora,posando para fotos,ao lado de Blatter,a notícia dá a entender que a formação de uma aliança contra Teixeira está próxima.Cruzadas solitárias raramente são bem sucedidas mas a escolha de aliados é uma arte que exige perspicácia e cuidado,Blatter com Romário faz um gol de letra,já o contrário...
Se as intenções de Romário forem aquelas que comprovamos até agora,espero que ele saiba que caminhos está percorrendo,espero também que ele não perca de vista o que conquistou nem a dimensão de quem é.
Para chegar onde parece pretender,uma sociedade que respeite as diferenças,o dinheiro público e o esporte que o consagrou,Romário não precisa de muito mais do que já tem e mesmo que não consiga tudo o que se propôs,sua integridade lhe manterá as portas abertas e as possibilidades infinitas e meu voto,além do meu tempo de" janela",me conferem o direito a um conselho: Cuidado Peixe!